Como é feito o exame de vista em cachorro e quando agir

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Como é feito o exame de vista em cachorro e quando agir

Como é feito o exame de vista em cachorro é a pergunta que traz preocupação imediata de quem percebe vermelhidão, corrimento, aumento do tamanho do olho, sombra escura no campo visual ou mudança no comportamento do animal. O exame oftalmológico veterinário combina anamnese detalhada, testes de visão simples, uso de lâmpada de fenda e oftalmoscopia, além de exames complementares como teste de Schirmer, tonometria e, quando necessário, ultrassonografia e electroretinografia. Este texto explica, passo a passo, o que é feito, por que cada teste importa, o que cada resultado significa para a vida do pet e quando agir com urgência.

Antes de seguir, saiba que os procedimentos e as interpretações descritas aqui seguem conceitos amplamente aceitos por conselhos e sociedades veterinárias nacionais e internacionais (CFMV, CRMV-SP, ABMVP e literatura especializada). Termos técnicos aparecem em destaque e são definidos no ponto em que surgem.

Transição: a seguir será apresentada uma visão geral sobre por que um exame oftalmológico completo é indispensável e quais sinais motivam a consulta.

Por que fazer um exame de vista completo no cachorro e quando procurar ajuda

Um exame oftalmológico detalhado não é apenas um check-up: é a combinação de procedimentos que identifica problemas que podem causar dor, perda de visão permanente ou afetar qualidade de vida. Buscar atendimento é indicado quando há sinais como:

  • Vermelhidão ocular persistente;
  • Opacidade ou manchas brancas na superfície do olho;
  • Aumento de piscar, lacrimejamento excessivo (epífora) ou secreção;
  • Mudança no tamanho do globo ocular (olho maior ou menor);
  • Esfregar o olho com a pata;
  • Perda súbita de visão ou tropeços recentes;
  • Aparecimento de uma "mancha escura" na pupila ou reflexo anormal ao toque.

Esses sinais podem refletir condições diversas: desde úlcera de córnea (ferida na superfície transparente do olho) até glaucoma (aumento da pressão intraocular, que pode causar dor e cegueira). Em raças com focinho curto, os braquicefálicos têm predisposição a problemas corneanos e epífora; animais idosos têm risco maior de catarata e atrofia progressiva da retina (degeneração genética da retina).

Transição: a seguir descreve-se a preparação para a consulta e o que o tutor deve levar para otimizar o atendimento.

Preparação para a consulta oftalmológica: o que trazer e como ajudar o cão

Documentos e histórico de saúde

Levar o cartão de vacinas, lista de medicamentos em uso e relatórios de consultas veterinárias anteriores ajuda a construir contexto. Anotar desde quando o sinal foi observado, se piora à noite ou à luz, se houve trauma aparente e se há doenças sistêmicas (diabetes, hipertensão) agiliza o diagnóstico.

Comportamento e fotos/vídeos

Vídeos curtos mostrando o comportamento visual do animal (como esbarrar em móveis, hesitação ao descer escadas) e fotos do olho afetado em diferentes momentos podem revelar flutuações, secreção e alterações de cor que não estão presentes durante a consulta.

Jejum e medicações antes do exame

Exames de rotina geralmente não exigem jejum. Procedimentos que possam necessitar de sedação ou anestesia (ultrassom ocular sob sedação, facoemulsificação para remoção de catarata) requerem jejum conforme instrução da clínica. Não interromper medicações sem orientação; alguns anti-inflamatórios e colírios podem alterar sinais inflamatórios.

Transição: agora descreve-se, em detalhes, o passo a passo do exame oftalmológico, do mais simples ao mais avançado.

Como é realizado o exame oftalmológico passo a passo

O exame é organizado por etapas: avaliação funcional (como o animal usa a visão), exame externo e de superfície (córnea, pálpebras), avaliação de pressão e câmara anterior, e exame do segmento posterior (retina, nervo óptico). A ordem pode variar conforme o sinal inicial.

Anamnese focalizada

Uma história clínica dirigida investiga início do problema, progressão, traumas, uso de medicamentos, previas cirurgias e histórico reprodutivo (importante em doenças hereditárias). Informações sobre ambiente (poeira, piscinas) e alimentação podem apontar causas externas ou tóxicas.

Testes simples de visão

Antes de aparelhos, avalia-se a visão funcional com testes comportamentais:

  • Resposta ao gesto de ameaça (menace response): movimenta-se a mão rapidamente em direção ao olho sem tocar. Uma resposta adequada (piscar ou recuar) sugere via visual e reflexos intactos. Definição: é um teste de comportamento que requer percepção visual consciente.
  • Rastreamento de objeto: uma bolinha ou objeto leve é movido para que o cão acompanhe com os olhos. Falta de acompanhamento pode indicar perda visual.
  • Teste do obstáculo: observar o animal ao caminhar por um corredor com objetos; hesitação pode indicar perda parcial da visão.

Reflexos pupilares

Avaliando a pupila e seu reflexo à luz verifica-se função do nervo óptico e vias reflexas. Termos:

  • Pupila: abertura no centro do olho que regula luz que entra;
  • Reflexo fotomotor direto e consensual: contração da pupila quando exposta à luz e resposta do outro olho também.

Alteração nesses reflexos pode indicar lesão no nervo óptico ou retina.

Exame da superfície e anexos oculares

Usa-se inspeção direta e lâmpada de fenda — um instrumento que ilumina e amplia a superfície ocular — para avaliar pálpebras, cílios, conjuntiva e córnea (camada transparente na frente do olho). Lesões na córnea, depósitos, vascularização ou úlceras são visualizados nesta fase.

Teste de Schirmer (medida da produção lacrimal)

O teste de Schirmer mede a produção de lágrima colocando-se um papel absorvente na margem palpebral por 60 segundos. Definição: quantifica a umidade lacrimal. Valores normais em cães geralmente ficam acima de 15 mm/min; valores menores sugerem ceratoconjuntivite seca (KCS), que causa olho seco, desconforto e tendência a úlceras.

Fluoresceína

O corante de fluoresceína é instilado em gotas para identificar úlceras de córnea — o corante adere a áreas onde o epitélio está ausente. Também é usado para testar a permeabilidade do ducto nasolacrimal (ver se o corante sai pelo nariz).

Tonometria (medição da pressão intraocular)

A tonometria mede a pressão intraocular (pressão dentro do olho). Normal para cães: aproximadamente 10–25 mmHg (variações por método e raça). Métodos incluem tonômetro de applanamento, tonopen e tonômetro rebound (TonoVet). Valores aumentados sugerem glaucoma (risco de dor e perda visual); pressão baixa pode ocorrer em uveíte (inflamação intraocular).

Gonioscopia

Gonioscopia é o exame do ângulo de drenagem da câmara anterior — área por onde o humor aquoso sai do olho. Definição: utiliza-se uma lente de contato especial para visualizar a malha pectínea e avaliar bloqueios ou anomalias que predispõem a glaucoma.

Biomicroscopia e avaliação do cristalino

Com a lâmpada de fenda examina-se o cristalino (lente natural do olho), procurando opacidades (catarata), subluxação (deslocamento) e sinais de ruptura. A catarata pode ser congênita, hereditária ou secundária a inflamação ou diabetes.

Oftalmoscopia direta e indireta (exame do segmento posterior)

Esses métodos permitem ver a retina e o nervo óptico. A oftalmoscopia indireta possibilita campo mais amplo e é útil em visão geral da retina; a direta amplia detalhes. Achados importantes: descolamento de retina, hemorragias, atrofia do disco óptico e sinais de atrofia progressiva da retina, doença genética que leva à perda gradual da visão, muitas vezes detectável por alterações retinianas.

Ultrassonografia ocular

Quando a córnea ou cristalino estão opacos e impedem visualizar a retina, faz-se ultrassonografia (B-mode) para examinar o interior do olho: descolamento de retina, massa intraocular, ruptura do cristalino e acumulação de material na câmara vítrea. É feita com gel e sonda sobre a pálpebra ou, com anestesia tópica, sobre o olho aberto.

Exames eletrofisiológicos: electroretinografia (ERG)

A electroretinografia mede a resposta elétrica da retina a estímulos luminosos e avalia sua função. É indicada quando se suspeita de doenças retinianas difusas como a atrofia progressiva da retina ou para aferir prognóstico visual antes de cirurgias que exigem retina funcional. Geralmente requer sedação ou anestesia leve e pupilas dilatadas.

Exames laboratoriais e imagem complementares

Exames de sangue podem ser solicitados para investigar causas sistêmicas (diabetes mellitus, doenças infecciosas). Tomografia e ressonância magnética são raras, indicadas quando há suspeita de processo orbital ou neurológico associado.

Transição: após descrever os testes, o próximo bloco aborda os diagnósticos mais comuns e o que cada um significa para o dia a dia do animal e do tutor.

Principais diagnósticos encontrados no exame e implicações práticas

O exame oftalmológico permite identificar condições que variam de benignas e tratáveis a urgentes e com risco de perda visual. Abaixo estão os diagnósticos mais frequentes, como são confirmados e o que significam para a rotina do animal.

Úlcera de córnea

Identificada com fluoresceína e lâmpada de fenda; sinais incluem dor, lacrimejamento e blefaroespasmo (fechamento involuntário das pálpebras). Para o tutor: úlceras profundas exigem tratamento imediato (colírios, proteção com colar elisabetano, às vezes cirurgia) para evitar perfuração. Prognóstico é bom quando tratada cedo; demora aumenta risco de cicatriz e perda visual.

Glaucoma

Pressão intraocular permanentemente elevada (diagnosticar com tonometria) causa dor e pode ser repentina. Sinais: olho aumentado (buphthalmos), visão reduzida, córnea turva e pupila dilatada. Para o tutor: glaucoma é emergência — agir rápido para reduzir pressão (medicamentos orais e tópicos, drenagem cirúrgica ou até enucleação se sem recuperação possível). Prognóstico depende da rapidez do tratamento; danos ao nervo óptico são frequentemente irreversíveis.

Uveíte

Inflamação intraocular, detectada por olho vermelho, mióse (pupila contraída), dor e pressão baixa possível. Uveíte pode ser secundária a infecções ou doenças sistêmicas. Para o lar: requer investigação da causa e tratamento anti-inflamatório; complicado pode levar a catarata, sinequias (aderências) e glaucoma secundário.

Catarata

Opacificação do cristalino. Impacto na vida do cão depende da densidade e da localização: opacidades incipientes raramente impedem o animal de viver normalmente; catarata densa pode causar cegueira. A cirurgia padrão é a facoemulsificação (remoção ultrassônica do cristalino e implantação de lente intraocular). Para o tutor: muitas vezes o cão readquire ótimo  nível de função visual após cirurgia bem indicada; pré-avaliação inclui tonometria, fundo de olho e ERG para excluir doença retiniana concomitante.

Keratoconjuntivite seca (KCS)

Olho seco detectado pelo teste de Schirmer. Sintomas: secreção espessa e coloração marrom, desconforto e risco de úlceras. Para o tutor: tratamento crônico com colírios lubrificantes e imunomoduladores; a condição exige manutenção regular e melhora qualidade de vida quando controlada.

Entropion e ectropion (anormalidades palpebrais)

Entropion é quando a margem palpebral vira para dentro, fazendo os cílios roçarem a córnea; ectropion é margem evertida. Ambos causam desconforto, epífora e risco de lesão corneana. Para o tutor: muitas vezes correção cirúrgica é indicada; procedimentos são previsíveis e melhoram bem a qualidade de vida.

Atrofia progressiva da retina (PRA)

Doença degenerativa geralmente genética que leva à perda progressiva das células da retina, detectável por alterações na oftalmoscopia e confirmada por ERG. Para o tutor: perda visual inicialmente noturna que progride para cegueira completa; manejo envolve adaptação ambiental (visibilidade dos caminhos, evitar móveis deslocados) e prevenção de cruzamentos de reprodução em raças afetadas.

Transição: é importante reconhecer sinais de emergência ocular; a seguir explicam-se as situações que demandam atendimento imediato.

Sinais de emergência e quando agir rápido

Algumas apresentações exigem atendimento veterinário em horas, não dias. Reconhecer estes sinais pode salvar visão e reduzir dor.

Sinais que indicam emergência oftalmológica

  • Aumento súbito de volume do olho ou dor intensa (sinal de possível glaucoma agudo);
  • Perda súbita de visão bilateral ou unilateral sem explicação imediata;
  • Olho perfurado, corpo estranho preso ou sangramento intraocular;
  • Aparecimento repentino de sombra escura ou cortina no campo visual (sugerindo descolamento de retina);
  • Úlcera de córnea grande com exposição de camada mais profunda;
  • Sinais sistêmicos associados: febre, apatia, desidratação junto com problemas oculares.

O que o tutor deve fazer em emergências

Manter o animal calmo, evitar manipular o olho e usar colar elisabetano para evitar coçar. Levar imediatamente a um serviço veterinário ou oftalmologista. Não aplicar colírios caseiros sem orientação; alguns medicamentos humanos agravam lesões.

Transição: depois do diagnóstico vem a decisão sobre tratamento. A seção seguinte descreve opções e prognósticos, inclusive cirurgias oftalmológicas comuns.

Tratamentos possíveis, procedimentos cirúrgicos e prognóstico

O tratamento varia de colírios a cirurgias complexas. Cada opção tem indicação clara, riscos e expectativa de resultado — aqui se descreve o que os donos podem esperar.

Tratamento clínico (colírios e medicamentos sistêmicos)

Colírios antibióticos, antivirais ou antifúngicos tratam infecções superficiais e profundas. Anti-inflamatórios (corticosteroides ou AINEs) controlam inflamação, mas seu uso depende da integridade da córnea: corticoides são contraindicados em úlceras epiteliais não avaliadas. Drogas para reduzir pressão (manitol, timolol, carbonato de magnésio) ajudam no glaucoma. Alguns tratamentos são de longo prazo (KCS), exigindo adesão do tutor.

Cirurgias corneanas e palpebrais

Procedimentos incluem sutura de úlceras profundas, retalhos conjuntivais para cobrir e proteger a córnea, e correção de entropion/ectropion. Esses procedimentos aliviam dor e previnem complicações, com recuperação geralmente rápida quando bem indicada.

Cirurgia de catarata: facoemulsificação

A facoemulsificação fragmenta e aspira o cristalino opaco com ultrassom, seguida de implante de lente intraocular. Pré-requisitos: retina funcional e pressão intraocular controlada. Recuperação envolve colírios anti-inflamatórios e antibióticos; muitos cães recuperam boa visão, melhorando mobilidade e interação. Riscos incluem inflamação persistente e glaucoma secundário.

Tratamentos para glaucoma

Glaucoma crônico pode requerer combinação de tratamentos: medicação tópica contínua, laser terapêutico para reduzir produção de humor aquoso ou implantes de drenagem. Em olhos com dor irreversível e sem visão, a enucleação (remoção do globo) ou evisceração com implante pode ser a opção para alívio da dor. Prognóstico visual depende da rapidez do diagnóstico.

Tratamento de doenças retinianas

Algumas doenças retinianas têm causas tratáveis (inflamação, toxinas), mas a atrofia progressiva da retina não tem cura; manejo envolve suporte e adaptação do ambiente.  veterinária oftalmologista  casos, terapias genéticas experimentais estão em desenvolvimento para espécies específicas, mas ainda são restritas.

Transição: certos grupos exigem atenção especial — veja a seguir considerações para raças braquicefálicas e cães idosos.

Casos especiais: raças braquicefálicas e cães idosos

Braquicefálicos (focinho curto)

Raças como buldogue, pug e shih tzu têm olhos proeminentes e exposição corneana aumentada. Consequências: predisposição a seco ocular, úlceras por trauma, exposição e epífora. Exames periódicos são essenciais; correções cirúrgicas de pálpebras e procedimentos para proteger a córnea são comuns e melhoram muito a qualidade de vida.

Cães idosos

Idade aumenta risco de catarata, mineralização corneana e degeneração retiniana. Monitoramento anual ou semestral é recomendado para detectar alterações tratáveis. Ajustes na rotina (iluminação, evitar mudanças de móveis) facilitam adaptação de cães com visão reduzida.

Transição: além do consultório e cirurgia, o sucesso depende do acompanhamento e cuidados em casa; a próxima seção explica o que fazer após o diagnóstico.

Acompanhamento, cuidados domiciliares e sinais de piora

Plano de retorno e exames de controle

O protocolo de retorno varia conforme o diagnóstico: após cirurgia de catarata, revisões frequentes nas primeiras semanas; em glaucoma, monitorização da pressão intraocular em dias iniciais e de forma periódica. Em tratamentos crônicos (KCS, glaucoma), consultas regulares verificam adesão e efeitos colaterais.

Administração de colírios e cuidados práticos

Instruções para aplicar colírios: manter o frasco limpo, puxar levemente a pálpebra inferior para formar um "bolso", aplicar a dose e permitir que o cão pisque. Usar colar elisabetano até que o olho esteja protegido. Em caso de colírios frequentes, estabelecer rotina com horários fixos e registro de administração evita esquecimento.

Sinais de piora que exigem retorno imediato

  • Aumento repentino de vermelhidão ou dor;
  • Aparição de secreção purulenta;
  • Piora da opacidade corneana ou aumento do olho;
  • Recusa de alimentar-se ou comportamento letárgico associado ao problema ocular.

Transição: para finalizar, um resumo conciso com passos práticos imediatamente aplicáveis para tutores.

Resumo e próximos passos práticos para o tutor

Se notou alteração ocular, marcar consulta com um oftalmologista veterinário é o primeiro passo. Leve histórico, vídeos e medicamentos em uso. No atendimento, espere avaliações que incluem teste de Schirmer, fluoresceína, exame com lâmpada de fenda, tonometria e, se necessário, ultrassonografia ou electroretinografia. Acionar atendimento imediato ao observar dor intensa, aumento súbito do olho, perda rápida da visão ou sangramento ocular. Para raças braquicefálicas e animais idosos, avaliações preventivas periódicas reduzem risco de complicações. Finalmente, seguir o plano de tratamento e comparecer às revisões garante melhores resultados e conforto para o animal.

Passos práticos agora:

  • Agendar avaliação oftalmológica se houver qualquer sinal ocular persistente;
  • Levar documentos, vídeos do comportamento visual e a lista de medicamentos;
  • Não aplicar colírios humanos ou remédios caseiros sem orientação;
  • Em sinais de emergência (dor intensa, olho aumentado, perda súbita de visão) dirigir-se ao serviço veterinário imediatamente.

Essas ações rápidas e informadas aumentam a chance de preservação da visão e do bem-estar do animal.